segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Quando Deus visita a terra...

"Quanto a seus filhos, eles são herança do Senhor." (Salmo 127:3)



Respeito, mas jamais compreenderei pessoas que podendo ter filhos, preferem não os ter.

Nos filhos a vida se refaz...se ressignifica...se reveste de novo embelezamento.

Aquele choro, aquele olhar, aquele sorriso, aquele sono gostoso... tudo neles nos ensina a felicidade e a paz de espírito.

No exercício da maternidade/paternidade é quando mais nos assemelhamos a Deus, pois os pequenos nos inspiram amor e cuidado, renúncias e coragens  que não nos supúnhamos capazes.

Sua fragilidade nos revela a força que ocultávamos...

Seus desejos, necessidades, manias e birras, esculpem em nós a paciência que a vida, até então, falhou em conseguir.

Ah, meus doces e meigos filhos, visita oportuna de Deus...

Depois de atravessar um mar em tormenta onde sonhos sucumbiram, encontrei enfim a calmaria...

Foram noites de terror, dias infindáveis de uma existência angustiada...de questionamentos sobre o por que ser ao invés de não. 

Foi também num tempo assim, de mar revolto, de ondas tsunâmicas a nos desesperar, de ausência de respostas, que Ele veio ao nosso encontro...e o fez em forma de criança.

Como um grande pássaro descortinou os céus e sob suas asas nos trouxe a liberdade.

Permitiu-se aninhar nos braços da pecadora agraciada e pisou o chão que nos formou.

Tudo isso me vem à mente em devaneios, meditações e nostalgias, enquanto tomo no colo esse mistério  que me umedece os olhos.

Obrigado Deus, pelos filhos que me deste...

Por me visitares em cada um deles.



Marcelo de Paula / egm




sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Saindo por aí...

"Jacó também seguiu o seu caminho, e encontraram-no os anjos de Deus" (Gênesis 31:3)




Acontece com todos, ou quase todos...

Num momento da vida qualquer sentimos a necessidade de sair sem rumo...

Sair por aí, sem mapa nem itinerário.

Na esperança de topar com sabe-se lá o que, partimos sem lenço nem documento.

As placas pelo caminho não parecem indicar o país das maravilhas, mas, como se disse, para quem não
sabe onde ir qualquer caminho serve.

A fuga de si mesmo para encontrar-se... paradoxos da existência.

Paisagens desconcertadas e passantes ignorados testemunham a indiferença do caminhante que passeia,
absorto em seus pensamentos.

A vida escondida em cada um carrega seus motivos misteriosos.

Partimos, talvez nem tanto para chegar, mas para distanciar-se do tédio dos que nos olham sem ver, ou nos ouvem sem compreender...

Ou mesmo da mesmice que entorpece emoções latentes.

Sair por aí pode parecer coisa de gente perdida, com a vantagem e o risco de poder, enfim, encontrar-se.

Não são todos que se satisfazem apenas com sombras projetadas na parede.

Grandes homens saíram por aí, profetas e até Deus.

Moisés subiu a montanha, O Cristo embrenhou-se pelo deserto...

Ambos retornaram cheios da glória de Deus.

O primeiro encontrou o segundo em forma teofânica da sarça que ardia,
como arde o peito do peregrino que caminha pela existência em busca de resposta, e que sem saber, já está no rumo...

No rumo do Caminho.



Marcelo de Paula



Para uma grande pessoa,
Bia Rodrigues


sábado, 15 de março de 2014

Quando nem a felicidade basta...

"Só uma coisa te falta..." (Jesus de Nazaré a um jovem rico)




Que te falta para ser feliz?

Encontrar um amor que tenha medo de me perder.

Eis a síntese de um devaneio entre o pregador e uma alma intensa.

Mas se tiver medo, insiste o pregador, não é Amor o que lhe tem, pois o verdadeiro Amor lança fora o medo. Assim ensinava o discípulo amado.

Quem ama deixa ir... sem medo, sem condições...

...não sem dor.

Quem está pronto para este Amor, cuja linguagem transcende o clamor de nossas carências?

A felicidade não entra pelas frestas das janelas.

Não tem o atrevimento do sol, nem tão pouco a ousadia da lua que prateia o quarto escuro, onde lágrimas infindas descem em amargurada procissão.

Ela, a felicidade, se constrói.

Emerge dos nossos pedaços que vão ficando pelo caminho em meio uma existência incerta, na medida em que vivenciamos o Amor, não o que teme nos perder, mas aquele que sequer procuramos,
uma vez que quem se perdeu fomos nós.

Ah, Ele nos achou!!!

Mas quem está pronto para este Amor, cuja linguagem transcende o clamor de nossas carências?

 Só uma coisa te falta, Oh, alma intensa...

O AMOR.

O Amor que não tem medo de te perder, por não ter tido medo de morrer para que você pudesse viver.

Quero te encontrar no céu em alguma esquina de euforia...

...de deslumbramento...

Lá onde a felicidade finalmente nos basta.


Marcelo de Paula






terça-feira, 20 de agosto de 2013

Desapego...

"Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho". (S. Paulo, Apóstolo aos Filipenses)





Precisamos aprender a desapegar...

Principalmente do que não nos pertence.

Aliás, tenho dúvida se algo de fato nos pertence para além das consequências de nossos atos.

Não aprendemos a ouvir não...

Desde o Éden é assim.

Somos potencialmente possessivos.

Fazemos-nos donos do que amamos, quando nem de nossa vida o somos.

Nossos vazios não serão preenchidos pelo que insistimos em reter.

O apego a vida retarda o encontro com Deus.

Na verdade,  não nos preparamos para o melhor.

Deus nos ensinou como fazer...

Ao assumir a forma humana deixou o esplendor da sua glória.

Ao subir a cruz abriu mão do assédio das multidões... 

dos gritos de Hosanas!!

da companhia do Pai.

A relação que Deus nos propõe passa pelo desapego.

Desapego de pessoas, de conquistas, de coisas e convicções.

É quando nos esvaziamos de nós mesmos que Ele se torna nosso tudo...

e como Paulo, apóstolo, podemos dizer:

"Logo já não sou eu quem vive, mas Cristo é quem vive em mim."

O que Deus nos tem reservado em sua bondade é muito melhor do que o que pensamos ter.

Venha encontrar seu descanso em mim, é o convite que Deus te faz.

Não chore mais pelo que se foi, mas sorria para o que está vindo...

...e seja finalmente feliz.



Marcelo de Paula


Especialmente para minha amiga Romy Radke

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Se você soubesse...

"Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com os ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera" (Profecia de Isaías)



Parece que a gente insiste em não aprender...

Aprender de Deus, de seu amor e cuidado...
Do descanso e da paz, e de todo o bem que nos faz.

Todo dia nos dá o sol...
Toda noite a lua e as estrelas.
De quando em vez ainda temos chuva.
Para outros, neve...
O orvalho da manhã.
O perfume das flores.
O cheiro da terra
A água que sacia...
O pão que jamais falta.

Nada, no entanto,  parece nos satisfazer.

Nos adia o inevitável sem que fiquemos sabendo.
Prepara nossas possibilidades enquanto dormimos.
Cerca-nos de anjos que sequer reconhecemos.
Nos dispõe o seu perdão sempre que erramos.

Nada, no entanto, parece nos satisfazer.

Nos enchemos de cuidados...
A ansiedade nos arrebata,
O medo paralisa...
E o efêmero  nos desvia do sagrado nessa fuga de nós mesmos.

Talvez você não saiba, mas queria que soubesse...

Deus esteve com você em todos seus processos
Contou seus passos enquanto durou as suas dúvidas.
Recolheu-lhe cada lágrima para devolvê-las em chuva de benção.
Dimensionou a sua dor como quem conhece a tua alma.
Viu desvanecer tua esperança para recobrá-la em seguida.
Amou os seus mais que você mesmo.
Te acompanhou nas insônias e te sustentou ao longo do dia.

Ah, se você soubesse que o que te compete é bem menor do que pensa ser...

Mas parece que a gente insiste em não aprender...
Aprender de Deus, de seu amor e cuidado...
Do descanso e da paz... e de todo o bem que nos faz.


Marcelo de Paula




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Mania de sofrer...

"Mas para vós que temeis o meu nome nascerá o Sol da Justiça...
e salvação trará debaixo das suas asas." (Profecia de Malaquias)




O dia amanhece lá fora...

mas não dentro da gente.

Acomodamo-nos à familiaridade de nossas cavernas escuras e sombrias,

morada de anseios e pavores do desconhecido.

Quantas bençãos reserva o dia para os que ousam espiar pela janela da alma.

Flertamos com um luto que não nos foi destinado passar...

Mania de sofrer...

Medo de perder...

Vontade de viver...

Lágrimas que nos encharcam a face, a mesma face que o sol anela iluminar e aquecer.

A esperança, ignorada, dorme e acorda ao nosso lado.

Ansiosa para que a abracemos, renova-se em cada amanhecer.

É o sorriso puro dos filhos...o cafuné de quem nos ama, e que também amamos.

O conforto dos gestos e palavras dos que nos querem bem.

A música perfeita que diz tudo o que queríamos ouvir.

Não sei por onde Deus me leva, mas sei que Ele me conduz para Jesus*

O melhor de tudo ainda está por vir.

Percebi com o tempo que bem pouco de meus temores se concretizaram.

Quanta paz deixei de sentir...

Quantos sorrisos não distribuí...

Mas enfim, acho que aprendi...

Venha o que vier, vou deixar o dia me mostrar...

Não terei medo de ter medo.

Não negarei minha humanidade, mas saberei que cada raiar do sol...

...é recomeço.


Marcelo de Paula


Especialmente para minha amiga Camila Romam



*Inácio de Loyola


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dias mais leves...

"Se tu uma benção"  (De Javé ao patriarca Abraão)




É o que eu quero...

Redescobrir o sentido de coisas esquecidas.

Dias mais leves...

Pra caminhar sem pressa pelas ruas da minha cidade.
Pra perceber outros caminhantes...trocar sorrisos que desarmam a estranheza.
Pra assoviar sem motivos a melodia dos corações tranquilos.
Pra produzir tempo para os que nunca tive...
Pra ser-lhes o olhar que encoraja, a mão que afaga mas que também supre.

Dias mais leves...

Pra deitar e dormir, não sem antes sonhar acordado o sonho que se lembra.
Pra espreguiçar demoradamente como que desperto sobre nuvens de algodão.
Pra saudar com sorriso de criança a paisagem que minha janela mostrará.
Pra chorar com os que choram, alegrar-me com os alegres, ser humano em todo tempo.

Dias mais leves...

Pra não me assustar com o som das águas vespertinas e nem com o silêncio que inunda a noite.
Pra não me desgostar do beijo que não veio, não quente como eu queria.
Pra aceitar os outros como são e não doar-lhes nada além do que sou.
Pra não ir além do que posso ir, nem me cobrar o milagre que não me compete fazer.

Dias mais leves...

Pra contemplar a beleza de tudo que é belo
Pra fazer de teus olhos, espelho...
De teu colo, travesseiro...
De teus lábios, conselhos...
De teu abraço, o casaco que me aquece a alma.

É o que eu quero...

Redescobrir o sentido de coisas perdidas

Dias mais leves...

Pra fazer de ti, Jesus...

...o meu tudo.


Marcelo de Paula


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Muito mais que palavras...

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus"
(Evangelho de S. João, Apóstolo)





Não é sempre que eu tenho as palavras como gostaria de tê-las.
Palavras agradáveis....
Que acalentam...
Que recriam...
Renovadoras de sorrisos desaprendidos.

Sei como é esperar por algo que não vem.

Ah, a desilusão do beijo frio...
O diagnóstico quase perfeito...
O que dizer da semente que não vingou? ...e sobre o tempo que mentiu?
E aquele olhar que só ficou no olhar?
Hummm...sem falar no amor que não mais entra por aquela porta...
A fé que se revelou ingênua.

Enfim, o que dizer para quem precisa muito mais que palavras?

O que falta em palavras, porém, me sobra em sentimento.
Daí, essa troca entre mim e ti.
De que valem palavras lançadas ao vento,
Quando a experiência do sentir nos faz tão próximos?

Jesus sempre tinha as palavras...e muito mais que elas.
Ele tinha colo e calor... Mãos santas que afagavam almas destruídas.

Em tempos que me faltam palavras, tenho buscado "A Palavra", o Verbo Divino que em mim soprou o fôlego da vida.

Ele me tem acalmado as tormentas...

De um jeito todo seu, me tem comunicado amor em meio a questionamentos insistentes.

Não, não é sempre que o pregador tem as palavras certas e apaziguadoras, mas o que tenho e nos une nessa condição humana, é essa doce necessidade de estar cada dia mais perto de Deus.


Marcelo de Paula




quarta-feira, 3 de julho de 2013

Deus e o silêncio...

"Como ovelha, muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca" (Profecia de Isaías)





Deus fala-me através do silêncio...

Fala a ti também.

Fala a todos quantos queiram mergulhar nas profundezas do silêncio que angustia.

De madrugada, quando os sons cessam e a escuridão abraça, lágrimas quentes que se pensavam extintas banham rostos esculpidos pela aflição.

Que momento sublime esse quando a glória de Deus se revela na fraqueza humana.

Não há consolo para certas dores.

Não há canção que apazigue o coração de mãe que contempla filho sofrendo.

O que o dia encobre, a noite nos revela na penumbra.

Tenho aprendido não cobrar voz dos que flertam com o silêncio.

As vezes pensando-nos altruístas, tornamo-nos inconvenientes.

Quase sempre são fortes as razões dos que emudecem.

Este pregador devaneia no silêncio. Absorvido em nostalgias, vou suturando minhas feridas da alma enquanto escrevo.

Deus também já habitou a zona do silêncio - "Como ovelha, muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca."

Dizer o que para quem simplesmente não nos compreende?

Os amigos de Jó lhe foram benção enquanto permaneceram calados.

Diante do silêncio dolorido do outro, o melhor a fazer talvez seja silenciar com ele.

É assim que Deus faz com a gente...

Parece que não está ali, mas em silêncio habita nosso silêncio.

Até que nos damos conta de que estávamos o tempo todo...

... nos braços do Pai.


Marcelo de Paula







terça-feira, 2 de julho de 2013

Talvez sim, talvez não...

"E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus". (Epístola de S. Paulo, Apóstolo aos Tessalonicenses)




Coração...

Lugar de tudo...tudo que sentimos, tudo que queremos e não temos.

Canto de certezas e enganos...

Morada compartilhada pela fé e ceticismo.

Estrada de terra...poeira nos olhos, lama nos pés.

Devemos mesmo esperar pela mudança que nunca chega?

Talvez sim,
Talvez não.

Coração...

Lugar inquieto em meio ao silêncio de uma alma confusa e cansada.

Protestos inaudíveis e invisíveis para um mundo exterior onde desfila, imponente, a vaidade.

Essa sina é de cada um.

Devemos mesmo esperar pela mudança que nunca chega?

Talvez sim,
Talvez não.

Coração...

Lugar em que o talvez hora pende pro sim, hora pro não.

Triunfo da incerteza.

Mesmo assim a esperança, moribunda, ainda acena. Afinal, o Homem ressuscitou.

Tal como havia dito Ele se levantou quando tudo parecia perdido.

Sim, o céu foi rasgado feito papel, e dele desceu Deus, que se humanizou.

E agora?

Devemos mesmo esperar pela mudança que nunca chega?

(...)

Coração...

Lugar em que ainda que não se possa ter tudo

Pode-se ter o essencial...

A Paz que excede todo entendimento.

Vem, esta é a hora.


Marcelo de Paula / C.G






quinta-feira, 21 de março de 2013

Uma fonte inesgotável de inspiração...

"Se possível afasta de mim este cálice" (Jesus de Nazaré, no jardim do Getsêmani)




Às vezes passo dias sem escrever...
semanas e até meses.

Talvez porque não escreva por compromisso.

Meus devaneios são assim...

...descompromissados.

Mesmo assim me cobro, penso que a inspiração se foi para sempre.

O céu pintado de estrelas, ou mesmo a chuva fina que cai ao entardecer...

Meu filho que ao meu lado dorme o sono da paz...

Nada, absolutamente nada, me refaz de meu instante letárgico.

Eu sou o pregador...o pregador que às vezes se cala por não ter o que dizer pra consolar.

O céu enegrece diante dos meus olhos e não me reconheço.

Já tive céus com auroras boreais... já carreguei o peso da lua... já me curti em espelho d'água...

Mas por vezes o silêncio fala por mim.

Não fosse pelos maus dias, como valorizaria os bons?

Tão certo como o amanhecer, a canção nascerá de novo em meu coração.

Uma vez Deus agonizou num jardim. Os poros de sua fronte romperam em sangue que gotejou no chão,
o mesmo chão que proveu o barro que me moldou.

Isso me redime...me redime da culpa de não ser feliz o tempo todo.

Se por um lado me entristeço por não prover um texto que te faça sorrir,
por outro me consolo por te fazer saber que sou tão você.

Você não está só na sua dor, nem nos seus medos, anseios e ausência de respostas...

Conheço bem os demônios que te assombram...

Conheço também o Deus que se fez humano pra experimentar o que sentimos.

Não, a inspiração não se foi...nem por hora, muito menos para sempre.

Ela é gestada nas nossas experiências...nas nossas dores e prazeres...

Assim Deus vai nos refazendo...acrescentando sangue puro e salvador ao barro deturpado,
nos remodelando à sua imagem e semelhança...

...nos animando e inspirando.


Marcelo de Paula

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Sobre cada um de nós...


"Porque quando estou fraco então é que sou forte" (Carta aos Coríntios, de S. Paulo, Apóstolo)


...sobre uma menina mulher que está cansada de tudo, de viver sozinha, de dormir e acordar sozinha. Cansada de não ter uma corrente forte, na qual possa se segurar até que passe a tempestade.

É com este desabafo que abro meus devaneios de 2013.

Quero fazer dele uma homenagem especial a cada pessoa que me lê.

Estou ciente que meu universo de leitores é essencialmente feminino, mas os homens também sentem, também choram, também devaneiam, ainda que longe dos olhos dos outros, mas nunca de Deus.

Fiquei devaneando alguns dias sobre esse desabafo que li, tentando me colocar no lugar.

Tais palavras jamais brotariam de uma terra infértil, de um coração em que a esperança secou.

A angústia, na verdade, é uma nascente de expressões autênticas...

Por seus dutos a alma trafega livre...desimpedida.

De um coração doído surge a mais bela poesia, e do desencanto com a vida a entrega que se faz necessária para Deus agir.

O sentimento de incompletude é compartilhado universalmente.

Não chega a ser consolador saber que não somos os únicos a nos sentir só...a dor de cada um pertence a cada um, mas somos convidados à reflexão: Fazemos parte de uma comunidade de incompletos.

Já escrevi outras vezes sobre esta sensação estranha de solidão acompanhada...sim, porque não sente isso unicamente os que se vêem sós.

Quando tudo nos cansa é porque nossa alma necessita realmente de descanso.

Perdemos nossos referenciais em meio  a angústia insistente...  ficamos à deriva de um destino incerto enquanto esperamos algo que nos alente o espírito.

Algumas condições de nossa alma são mais propícias à visita de Deus, e,  penso mesmo, que essa é uma delas.

"...ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus", escreveu o salmista numa condição, quem sabe, bastante semelhante.

Não sei quanto a vocês, mas isso me eleva, saber que Deus não é indiferente ao que sinto.

A tempestade, por vezes, demora a passar, mas quando o faz, a calmaria que se segue é proporcionalmente acalentadora.

Este pregador que devaneia, é experimentado nos sentimentos...

Jamais tive medo de sentir, de rasgar minha alma, de ter descoberta minhas inconsistências, pois quanto mais assim eu sou, mais me vejo acompanhado nessa solidão e, com isso, posso devanear e escrever sobre esta menina, sobre esta mulher...

...sobre cada um de nós.



Marcelo de Paula


Uma canção para sossegar a alma...



domingo, 30 de dezembro de 2012

Marcas do que se foi...

"Eis que eu faço novas todas as coisas!" (Livro das Revelações )



Já escrevi aqui que ninguém passa incólume pela existência.

Cada qual traz em si as marcas do que viveu.

Cicatrizes se formaram com o tempo em feridas que julgava-se insuperáveis.

Quanto aprendizado a dor proporciona aos que se deixam ensinar.

O mais incrível de todos os incríveis da vida, no entanto, é nossa vocação para sonhar, e...

seguir sonhando.

Para esperar que cada novo dia seja realmente novo.

Para desistir de nossas carrancas ao nos encontrar em olhos que nos fascinam...

ou gestos que nos desarmam...

Almas que se quer pensávamos existir.

Deus nos fez assim, obstinados pela felicidade.

Não há feridas, não há dores e nem cicatrizes que tirem de nós o desejo de voltar a ser feliz.

Se cuidarmos das feridas uns dos outros potencializaremos a possibilidade de dias melhores.

O próprio Cristo teve ajuda para levar sua cruz.

Ninguém precisa sofrer sozinho.

Conte com este pregador no novo ano que se inicia.

Vamos sofrer juntos...vamos devanear juntos...vamos sonhar juntos...

Que as marcas sejam nossas...

...assim como os sonhos que vamos ter.


Feliz 2013, amigos.


Marcelo de Paula


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Antes que venham os dias maus...

"...antes que venham os maus dias, e cheguem os anos nos quais dirás:  Não tenho neles prazer". (Eclesiastes 12:10)




A bíblia fala deles...
...dos dias maus.

Diz ainda que não seriam poucos...e quão bem sabemos disso!

Fazemos da felicidade nossa razão de ser e existir, pra perceber em pouco tempo que não a compreendemos.

Tenho visto pessoas tristes demais antes da hora...
Desacreditadas de si em plena flor da idade.

Pessoas que apostaram tudo em situações que não se concretizaram como haviam sonhado.

Esquecem-se que a vida é feita de momentos...de instantes seguintes, cuja duração está escondida em Deus.

Que a vida é um mistério não temos dúvidas...

Toda vez que pensamos assumir o controle de nossas existências tropeçamos no desconhecido...

...no inimaginável... no imponderável...
...no transcendente.

Antes que venham os maus dias, nos aconselha o pregador, LEMBRA-TE DO TEU CRIADOR...

Refere-se ele aos áureos tempos da mocidade, quando Deus tem pouco apelo para a maioria.

O salmista e profeta Moisés sentencia que após os 70, 80 anos o que resta é canseira e enfado... o anseio pelo fim.

Daí, como explicar que pessoas longe dessa idade sucumbam no recôndito de suas tristes existências?

Vejo nas faces por onde caminho a ausência de Deus, e me pergunto se também não estou acometido desse mal.

Como posso não me lembrar noite e dia do favor de Deus?

Do sol que aquece, da chuva que refresca, do amor que encanta?

Dos amigos que me fazem rir, da capacidade de me condoer?

Como posso não me lembrar que atravessei ileso mais um ano em que tantos ficaram?

Que não passei um dia sequer sem ter onde morar, o que comer, beber e vestir?

Fomos lembrados todos os dias por Deus independentemente de nossas crenças.

Que possamos também nos lembrar dEle antes...

...antes que venham os maus dias e nos leve o que ainda resta de prazer.


Marcelo de Paula



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Mudanças

"Mas para vós que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça..." (Profecia de Malaquias 4:2)



E assim chegamos ao final de mais um ano...

Sejamos francos, pouca coisa mudou...

Pelo menos na vida da maioria de nós.

E a pergunta que fica é:

Era mesmo necessário mudar?

Por que ansiamos tanto por mudanças?

A cada ano nos despedimos do ano velho que doze meses antes celebramos como novo.

Isso é uma pequena amostra de como vemos a vida.

Suportamos a existência quando deveríamos vivê-la, celebrá-la... como uma dádiva divina.

Mas como, se O Deus que nos presenteou a vida é resignificado a todo instante segundo nossas conveniências?

A mudança que muitos de nós queremos é a mudança do outro.

O ser humano é capaz de entediar-se com a mais bela  paisagem se não estiver de bem com a sua alma.

A cada ano que se torna velho concluo que o velho sou eu.

Despeço-me do ano velho porque não tenho coragem de despedir-me de mim mesmo.

Assim, vou colecionando lamúrias e me acrescentando pesos que me farão arrastar por mais um ano que era para ser novo.

Não sou contra mudanças...penso mesmo que elas são necessárias, mas mudança alguma será satisfatória para quem não se propõe a mudar primeiro.

Precisamos urgentemente fazer as pazes com a vida, reconciliando-nos conosco mesmos.

Somente assim as mudanças serão efetivas e duradouras, pois terão partido do lugar certo...

...de dentro de cada um de nós.


Feliz vida nova!


Marcelo de Paula



Gosto muito de devanear ouvindo música. Convido você a essa viagem comigo depois do que acabou de ler. Lembre-se que Deus te fez para ter comunhão com Ele, para ser feliz, pleno(a), absoluto(a).
Aceite, pois, o projeto de Deus para sua vida, que passa pela cruz.





sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Ser significativo...

"Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados" (Carta de S. Paulo, Apóstolo aos Efésios)




Fiquei por alguns momentos observando aquela moça...
Dividíamos o mesmo espaço...um jardim oriental que decorava o quintal de uma clínica.
Eu, ela e algumas abelhas, que cortejavam lindas  rosas emprestando uma beleza ímpar ao local .
O som de uma pequena cascata preenchia o ambiente com sua melodia constante e harmoniosa.
Fluía paz ali, ou quem sabe...em mim.
Não há como não devanear em condições assim, logo eu, que preciso de bem pouco para fazê-lo.
Ah, sim... a moça...
Cabelos lisos, preto, curtos, tipo chanel, camiseta preta sob um colete e bermuda jeans...
Calçava tênis sem meia, clara, de beleza rústica.
Tudo nela indicava fazer parte de algum movimento de contracultura.
Mas foram suas tatuagens que recobriam ambos os  braços, as culpadas por esse devaneio...
No braço direito, um violino...
Pouco abaixo deste, uma maçã, e, dentro dela, o mapa mundi.
No outro braço, três rostos enfileirados do que pareciam ser soldados  de chumbo, fardados em frente a uma fábrica e uma inscrição em inglês que dizia algo como: "somos como robôs...estamos mortos".
Foi aí que percebi, ao olhar pessoas entrando e saindo daquela clínica, o fundamento da crítica que sua pele estampava.

Passei a refletir sobre como ser mais significativo para as pessoas à minha volta...
Como deixar de agir feito um robô programado pelo sistema...
Algumas pessoas terei uma chance só de ver na vida...
Preciso deixar-lhes ao menos meu sorriso, e este, com significado.

Não quero viver correndo para lugar nenhum, sabotando minha necessidade de convivência.
Somos condicionados a sistematicamente desumanizar e coisificar o outro.
Somos como robôs...não vivemos para além do que nos deixamos programar...estamos mortos.
Tem pessoas que são como âncoras para nós...
Nos são referência, porto seguro, ouvidos atentos, voz oportuna...são significativas.
Pessoas que não deveriam morrer, mas que morrem...porém, continuam significando.
Minha morte tem que ser sentida...se não for, significa que passei a vida sem significar.
E isto não quero, viver morto.

Ser significativo é isso...
É ser necessário...é ser presente...
É passar mensagem a desconhecidos, ainda que sem saber...
É ser do seu próprio jeito, ainda que diferente, mas que de uma forma ou de outra, comunica.

Ser significativo é ser lembrado quando a coisa aperta...
É provocar riso mesmo estando ausente...
é fazer saudade quando se parte.
É com um simples bom dia, tornar bom o dia de alguém.
É contribuir para que o mundo seja mais musical e menos pecaminoso.
Enfim...
É ser como Jesus foi e nos ensinou a ser.


Marcelo de Paula



Para minha aluna , amiga e poeta Kelly Santos

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Medo da dor...

"...homem de dores e que sabe o que é padecer." (Profecia de Isaías - cap. 53)


Confesso que tenho medo da dor...

Não da dor do corpo, mas da dor que dói na alma.

Aquela que grita em silêncio...Grito que ecoa no vazio da indiferença de um mundo por demais ocupado.

Aquela que não encontra consolo, por este já não existir...

...que se reproduz no tempo que não passa...

...que te judia  ao cair da noite fria quando a lua sorri tímida entre estrelas quase opacas.

Aquela que te convida à valsa fúnebre do absurdo, e te conduz feito aprendiz do sofrimento.

Aquela que te rouba o chão e te faz sentir ninguém.

Aquela que sente o rejeitado...

...o que ama em segredo...

...o que dorme ao relento...

...o que esperava o mínimo e não teve nada...

Aquela que sente o injustiçado...

...o que desconhece a razão de tanta desventura...

...o preterido no banquete da felicidade...

...o que almeja o fim, por não ter tido sequer começo...

Ficaria horas devaneando sobre as possibilidades da dor.
Longe de ser um auto flagelo, é um exercício de humanidade...
O medo da dor não me inibe de refletir sobre ela.
Sei que pessoas sofrem ao redor da terra.
Não me permitirei anestesiar pela indiferença.
Quero dividir meus medos para que os que sentem o mesmo saibam não estar só, pois, das piores dores da alma, é aquela que a gente sofre sozinho.
O que costuma me acalentar nessas horas é conhecer um homem muito especial, conhecer por experiência, de andar com ele...
O profeta o chamou de "homem de dores e que sabe o que é padecer".
Ele também se viu só...
Do alto de uma cruz viu o céu enegrecer e a chuva desabar...
Viu sua mãe chorando em prantos sem poder lhe consolar.
Viu no olhar de seus discípulos o pavor do desencanto.
Por passar por tudo isso, Ele sabe te compreender...
Mas confesso que ainda tenho medo da dor, assim como você...até um dia...
...tudo isso passar.

Marcelo de Paula


Dentre as muitas dores, uma das mais recorrentes são as de amores mal sucedidos...
Divido com vocês "O que mais dói" dos rapazes do Rascal Flatts...





sábado, 17 de novembro de 2012

Eu, igual...

"Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza" (Livro de Jó 42:6)





Eu, igual...
Igual a você...
...e quantos mais?

Pensavas ser o único habitante do vale do silêncio?
Aquele lugar onde os rios são de lágrimas e as estradas não levam a lugar algum...
Onde a noite chega depressa, mas custa...como custa amanhecer.
Castelo de sonhos abortados...parque de depressão...
Colo de mãe triste cuja semente não vingou.
Canto em que o canto desafina com o desencanto dos desencontros.
Lugar sombrio...interior de nós, vós...eles.

Mas quem se importa?

Eu me importo...

Eu, igual...
Igual a você...
...e quantos mais?

Quando as dores se encontram ficam menos dolorosas...
e o cuidar da chaga alheia nos faz sentir mais fortes.
Ah, este mundo de aparências, onde a felicidade nos é servida em pílulas de placebo...
Acreditamos no que nos convém diante da ausência de certezas.
Não, não quero parecer herói, muito menos sóbrio...
Não quero ser a voz que aponta o caminho...
Antes, quero caminhar com os que perderam a voz.


Eu, igual...
Igual a você...
...e quantos mais?

Se somos iguais, demo-nos as mãos...
Façamos companhia à solidão uns dos outros.
Dispensemos o orgulho torpe que nos distancia.
Vivenciemos plenamente a experiencia de sermos humanos.
Livremo-nos das máscaras que não nos permitem reconhecer no outro.
Admitamos nossas contradições e nossa fome de verdade.
Perdemos o aconchego do Paraíso ao adentrarmos o portal da insensatez...
Crucificamos a nossa paz ao escolhermos Barrabás...

A terra prometida nos aguarda, no entanto...
Lá os rios são de água, água pura e cristalina, e O Caminho leva à vida...
O sol brilha constante, ilumina e aquece nossas penumbras...
Colo de mãe satisfeita com o filho alimentado...
Canto de anjos, miríades deles, que cantam encantados pelo reencontro de Pai e filho.
Lugar de Paz...interior de quem quer que aceite o projeto restaurador de Deus.
Nascemos para viver, e viver intensamente...


Eu, igual...
Igual a você...
...e quantos mais?


Marcelo de Paula


Para Carine Gama e todos os  que, como nós, enxergam o invisível.



quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Desesperança...

"Para quem iremos, Senhor, se só tu tens palavras de vida eterna"?
(Evangelho de S.João, Apóstolo, 6:68)




Para quem iremos?

Pior que a falta de esperança é a desesperança.

Não, não é mero jogo de palavras...nem mesmo um simples devaneio, é uma constatação.

Falta de esperança é a "não esperança"...aquela que nem chegou a existir.

Desesperança, por sua vez,  é a esperança que deixou de esperar...

É a esperança que, cansada, desesperançou...

que desistiu...

Esperança que morre, pense comigo,  nunca foi esperança.

Esperança vai além do sentimento...não é suscetível à inconstância de nossos humores.

A esperança é multiplicadora...

Que seria daqueles que se inspiram em nossa esperança vendo-a desesperançar?

Não quero nem imaginar.

Temos mil razões para cansar, é verdade,  mas...um milhão delas para se recompor.

Temos referências, temos para onde olhar...

Temos porque esperar e, mais que isso, por quem esperar...

"I have a dream today"

Que seria dos negros em todo o mundo não fossem a esperança de Martin Luther King e também de Mandela?

Que seria de tantos miseráveis na Índia não fosse Madre Teresa, que, diga-se de passagem, quase desesperançou...

Seria a Índia independente não houvesse Mahatma Gandhi?

Seriam oitenta mil crianças libertadas do trabalho infantil nesse mesmo país, não fosse pelo desprendimento e compromisso do ativista Kailash Satyarthi?

Sinto-me pequeno demais diante destes seres humanos...

Sinto-me pesado na terra.

Devaneio...

Eles não se permitiram desesperançar diante da escassez de esperança.

Eles atravessaram sua "noite escura da alma" fitando os olhos sobre o que a grande maioria de nós ignoramos.

Esperança que permanece é verdadeiramente esperança.

Oh, esperança que emana da cruz... esperança vertida em gotas de sangue puro sobre terra desolada..

Cordeiro de Deus, imolado na desesperança dos loucos que se fazem deuses...

Sobre ti repouso minha fé...sobre ti, que reina e vive para sempre.

Sim, Jesus de Nazaré...

Tu és minha única esperança.


Marcelo de Paula



Para minha grande amiga Marcia Fernandes



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Quando aperta o peito...

"As ânsias do meu coração se têm multiplicado; tira-me dos meus apertos" (Salmos 27:17)




Abro o mês de Novembro falando de aperto, aperto no peito.

É de vez em quando que acontece..

A sensação não é nada boa...

O ar fica pesado, a boca meio que seca e a tristeza lentamente se instala.

O medo, então, se nos impõe...a paz já nos deixou.

Sentimento de impotência, torpor...sei lá...

A angústia não tem hora pra chegar...ela simplesmente chega.

Ainda bem que passa...

Faz tempo que não ocorre comigo, não advindo de causas interiores, pelo menos, porque a bem da verdade, meu peito sempre aperta diante do sofrimento alheio.

Não quero mudar, essa empatia me faz bem...me humaniza retardando em mim os queixumes da velhice.

Mas li na página de alguém:

"Hoje meu peito está apertado"...

Aquilo tocou-me...

Tocou-me porque conheço bem a melancolia dos sinos que se tocam ao cair da tarde.

A melodia fúnebre que ecoa nos porões da existência incerta, que, mesmo acompanhada, se sente só.

A beleza que não convencida da sinceridade do espelho, espera em vão o elogio de quem lhe tiraria toda dúvida.

Enfim, conheço a angústia de ser invisível quando mais precisava ser visto.

É claro que o peito aperta...

Mas qual laço de amor jogado do céu, eis o socorro providente que me impede de sufocar no desalento.

A palavra amiga, a frase  relida, a boa notícia, o humor gentil...

São tantas as formas com que Deus me faz perceber que no peito em que bate um coração contrito, ali Ele também faz a sua morada.

É claro que o peito expande...

A melodia agora é a da sinfonia dos anjos que Ele elege para me cuidar.

A luz invade cada canto secreto e clareia segredos inconfessáveis...

As janelas da alma se abrem e ventilam o doce sopro do Espírito.

Em Deus encontramos aceitação.

Por meio de Cristo , que de peito aberto nos atraiu à cruz para fazer de nós homens e mulheres felizes...

...em qualquer circunstância...em qualquer momento, pois...

Tua Graça nos basta.


Marcelo de Paula




Á minha amiga Alessandra Ribeiro