terça-feira, 20 de outubro de 2009

Deus faz questão da maioria evangélica?

Não é de hoje que muitos líderes denominacionais comemoram a possibilidade de o Brasil contar com uma maioria evangélica em pouco tempo. O que penso com os meu botões é se tal projeção é realmente digna de comemoração, se não vejamos:

Com o aumento significativo da população evangélica, fato esse inconstestável, era para haver uma elevação dos valores éticos e morais tanto na sociedade, quanto nas próprias igrejas. No entanto, faça uma pesquisa na rua, na escola, no trabalho perguntando o que as pessoas associam ao termo "evangélico". Não se surpreenda se vc ouvir definições como "oportunismo", "exploração", "xarlatanismo". O que para muitos crentes soa como "perseguição aos evangélicos", pra mim nada mais é que a colheita do que foi plantado ao longo dos últimos anos.
Nas últimas décadas o evangelho que tem arrebanhado dezenas de milhares de cabeças de ovelhas não tem sido o Evangelho da Cruz, mas o "evangelho da barganha", aquele evangelho que "muda" a vida do desafortunado quase que num passe de mágica, da água para o vinho.
Quem não está atrás de soluções mirabolantes e imediatas para os seus problemas?

É evidente que um discurso que oferece tal conteúdo encontrará ouvidos cativos e atentos engrossando as fileiras do seguimento evangélico da população.

A prova inconteste de que há algo errado com esse "crescimento" são as próprias evidências.

Escândalos pipocam aqui e acolá, doutrinas estranhas e práticas antibíblicas, de exceção se tornaram regra em muitas igrejas.
Olho para uma cidade como o Rio de Janeiro, que proporcionalmente é a cidade mais evangélica do Brasil e o que vejo? O mesmo que vocês vêem! Uma violência sem fim, o carnaval mais badalado do mundo e por aí vai.
E o sal da terra?
E a luz do mundo?

E o Espírito Santo, estado brasileiro que se reveza com o Rio na proporção de número de evangélicos, que não raro tem sua política associada a corrupção?

Que dizer de São Paulo, a maior metrópole da AL...quantas igrejas evangélicas!!!

A questão que quero colocar é:

A proporção de evangélicos tem correspondido a realidade que se espera de uma sociedasde com grande número de evangélicos, isso à luz da Bíblia?

Minha crítica aqui é aos que se vangloriam do crescimento quantitativo em detrimento do qualitativo.

A presença de uma maioria evangélica no Brasil tem que necessariamente evidenciar o poder de Deus na condução do país e por extensão em toda a sociedade na forma de diminuição da corrupção, da violência, da imoralidade e da desigualdade.
Convém lembrar que Deus nunca fez questão de maiorias.
Os milhares de midianistas foram enfrentados com apenas 300 valentes de Gideão.
Sansão venceu mais de mil filisteus com a queixada de um jumento.
Elias, sozinho, enfrentou os 300 profetas de Baal no Monte Carmelo.
Jesus, com apenas 12 homens, estabeleceu o Cristianismo.

Essas minorias de Deus fizeram a diferença no mundo, de sorte que os líderes que comemoram as estatíticas de crescimento dos evangélicos, devem voltar os seus olhos para o interior de sua igrejas e avaliar a qualidade desse crescimento.

Se Deus fizesse questão de maiorias, não seria estreita a porta e nem apertado o caminho da salvação, e muito menos escolheria poucos dentre os muito que são chamados.

Marcello di Paola

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Evangélicos X Desenvolvimento Social

Sociólogo diz que crescimento evangélico ajuda na melhora dos índices de desenvolvimento social no Brasil.Divulgada em 9 de outubro pelo IBGE, a mais recente "Análise das condições de vida da população brasileira - 2009" aponta uma melhora considerável em vários aspectos da vida dos brasileiros. Para o sociólogo Alexandre Brasil Fonseca (pós-doutorado pela Universidade de Barcelona, na Espanha), a participação evangélica mais efetiva neste processo pode ser observada na alteração de certas políticas públicas."É um segmento socialmente organizado, que argumenta e luta por suas opiniões. É inegável que isso traz benefícios sociais. Com isso, não é um fato desprezível a histórica participação evangélica em Conselhos de Direitos Civis, nos últimos anos como por exemplo: O Conselho Nacional de Assistência (CNAS), o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), que tem três organizações evangélicas bem represntadas, e o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea)" argumenta Alexandre.Para o sociólogo, o aumento do salário mínimo e a bolsa família são o reflexo dessas políticas públicas, centradas no ser humano, fundamentais para o processo de melhoria nas condições de vida dos brasileiros.O futuro parece ser ainda mais promissor. Uma das mais importantes revistas do país, a Época, da Editora Globo, publicou recentemente uma série de matérias com previsões para o Brasil em 2020. O crescimento evangélico é abordado em uma das matérias. Baseado em dados estatísticos do SEPAL, "estima-se que 50% da população brasileira poderá ser evangélica" daqui a 11 anos.Para a revista, "a influência evangélica em 2020 contribuirá para a diminuição no consumo do álcool, o aumento da escolaridade e a diminuição no número de lares desfeitos, já que a família é prioridade para os evangélicos.

"Fonte: Agência Soma

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Tempo de abraçar...ou não...

"Tudo tem o seu tempo determinado...
...tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar." (Eclesiastes 3:1 e 5)

O homem é um ser sociável. Ele tem necessidade de interagir com o próximo. É na familia que se dá essas primeiras interações que vai se ampliando no curso da vida. Há momentos, no entanto, que o homem sente a necessidade de estar só. Só consigo mesmo...só com Deus. Esta solidão pode ser muito frutífera para alguns, ao passo que para outros pode ser devastadora. O que sabemos com certeza, é que existe tanto o "tempo de abraçar", marcado pela efervecência nas relações pessoais, como o tempo de "afastar-se de abraçar", marcado por uma reclusão muitas vezes auto-imposta. Não obstante o abismo que separa as duas condições, é possível tirar lições valiosas de cada uma delas.
Penso que devemos viver intensamente os "momentos" da vida. Momentos que duram minutos, horas, dias, semanas, meses e anos...
O valor das relações não é medido pelo tempo do convívio tão somente, mas pela intensidade com que se vive.

Jesus esteve três anos acompanhando e sendo acompanhado por seus discípulos. Era tempo de abraçar.

Cumprida sua missão redentora, ausentou-se para o seio do Pai. Era tempo de afastar-se de abraçar.

Não raro, Jesus mantinha uma vida social ativa, comia e bebia na casa dos amigos.

Era tempo de abraçar.

Algumas vezes, porém, preferia estar só para orar.

Era tempo de afastar-se de abraçar.

Em geral quando estamos ao lado de quem amamos intensamente, nos esquecemos ou quem sabe insistimos em não aprender, que isso não representa mais que uma fração da eternidade que se reveza entre momentos de abraçar e afastar-se de abraçar.
Alguém ja disse com muita propriedade que "nada é nosso...tudo é emprestado", e isto inclui nossas relações pessoais, família, pai, mãe, irmãos, amigos e amores...

Sofremos muito mais quando deixamos de encarar essa realidade, pois ela se materializará diante de nossos olhos mais cedo ou mais tarde, e isso, sem exceções.
O afastar-se de abraçar é comumente visto como negativo diante do abraçar. Convém lembrar, porém, que o "afastar-se" de Jesus correspondeu à vinda do Consolador para habitar conosco até a consumação dos séculos. O Espírito Santo veio e nos abraçou para sempre!

Se eventualmente, você que me lê, estiver vivendo um desses momentos de afastar-se de abraçar, lembre-se que o Consolador está a disposição de todo a quele que lhe confiar suas tristezas e angústias. Ele, e tão somente Ele, sabe dimensionar a intensidade de sua dor, oferecendo-lhe o seu abraço.
Aproveite portanto... pois o afastar-se de abraçar bem pode ser na verdade, tempo de abraçar e ser abraçado pelo próprio Deus.


Marcello di Paola


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Busquem a Jesus


Certa noite de domingo estava numa igreja bastista próximo de onde moro. Aguardava a hora da Palavra, que é o momento que mais espero no culto. Antes da mensagem, porém, tive a grata surpresa de ouvir um quarteto masculino entoando uma linda música a qual divido a letra com vocês... Não importa as circuntâncias, busque a Jesus.
***
Cada dia posso ver
Perceber em seu olhar
As pessoas tão vazias
Cheias de pesar
Vivem cada vez mais sós
Morrem sem amor
Um sorriso esconde a dor
Só jesus o vê

Busquem a Jesus
Busquem a Jesus
Quando o sonho se desfaz
Ele dá a sua paz

Busquem a Jesus
Busquem a Jesus
É preciso entender
Cristo dá sua paz

Sua luz Jesus me dá
Ele espera que eu vá
Ajudar a quem quiser
Nova vida encontrar
E a todo que vier
Muita paz buscar
Novo sol irá brilhar
Trevas nunca mais

Busquem a Jesus
Busquem a Jesus
Quando o sonho se desfaz
Ele da sua Paz

Busquem a Jesus
Busquem a Jesus
É preciso entender
É preciso aceitar
Que Cristo traz a paz...

Derrotados pelo triunfalismo...

Está dificil assistir ou ouvir qualquer programa de conteúdo evangélico seja na televisão ou no rádio. É nítido o esforço por um discurso referenciado pelo IBOPE. O Evangelho que os Apóstolos e pais da igreja pregavam e que dava frutos é algo considerado anacrônico e fora de propósito nos dias de hoje. É de provocar náuseas os conteúdos triunfalistas dos "sermões" que fazem proezas com a exegese bíblica conferindo significados oportunistas ao texto sagrado. Assisti a pouco tempo um vídeo de um "ex pastor" da Universal que reproduzia o episódio da viúva pobre dando sua oferta, suas duas únicas moedas. Ele perguntava ao seu auditório quem deu mais, se a viúva ou os fariseus; O auditório respondia em uníssono:
A viúva!!!
Evidente que foi a viúva. Não obstante ela ter dado apenas duas moedas, ela deu TUDO O QUE TINHA". Eu duvido, dizia o pastor, que você só tem duas moedinhas aí. Qual é o seu tudo hoje? Qual seu saldo bancário? É isso que é o seu tudo e é isso que vc tem que depositar aqui no altar de Deus.
Muitos podem considerar esse exemplo esdrúxulo, mas em maior ou menor grau é exatamente isso que está acontecendo nestas igrejas adeptas da famigerada "teologia da prosperidade".
No Evangelho de Marcos lemos sobre Jesus:
E começou a experimentar pavor e angústia. E lhes disse: Minha alma está triste a ponto de morrer [...] Abba! Pai, tudo te é possível, afasta de mim essa taça! Entretanto não o que eu quero, mas, o que Tu queres!”. Marcos 14: 33b, 34 e 36 .
Quão distante está hoje a realidade de grande parte das igrejas neopentecostais da experiência do Cristo.
O Ev. Luiz Henrique de Almeida e Silva, um dos escritores-colaboradores das Revistas de Escola Dominical da CPAD afirma em sua reflexão:

“O triunfalismo nada mais é que o principal produto da famigerada Teologia da Prosperidade, a qual acrescento o ‘Material’, ficando assim: Teologia da Prosperidade Material (ou TPM dos crentes...). É um tal de não aceito isso, não aceito aquilo outro, doente não posso ficar, miséria não é pra mim e por aí vai... A aceitação, ou melhor, a proclamação da Teologia da Prosperidade foi a institucionalização da arrogância entre os crentes. Por que essa ‘nova revelação’ não surgiu na época da igreja primitiva? Seria muito útil lá, afinal a perseguição era terrível e cruel. Ser cristão naquela época era quase que ser considerado terrorista da Al Qaeda nos dias de hoje. Mas os intentos de Satanás foram frustrados, visto que para cada cristão que morria surgiam dez em seu lugar! Parecia que era fertilizante e não sangue que corria em suas veias. Cada gota de sangue cristão derramado irrigava uma nova safra de crentes mais dispostos que a anterior, para desespero do diabo. Aquilo pra ele era um verdadeiro inferno. Escaldado com essas experiências negativas (ou seria melhor dizer positivas?), ele resolveu mudar de tática: descobriu que melhor que matar um crente fiel era deixá-lo vivo, mas tornando-o infiel. Com isso, o benefício seria duplo: enquanto a morte de um crente fiel produzia piedade em vários outros, a vida de um crente infiel (se é que isso existe!) traz vilipêndio ao nome de Jesus e desmoralização à sua igreja, que é o seu corpo”.

sábado, 3 de outubro de 2009

Um Deus Moleque

A imagem caricata de um Deus "mau humorado" permeia o imaginário de muitas pessoas. Se não isso, lhes é inconcebível a idéia de um "Deus moleque" que brinca e sorri e por que não, até gargalha.
Nesse devaneio, Delcides Marques, colega de classe durante meus tempos na ESP, nos presenteia com um saboroso livro, no qual reproduzo apenas o prefácio para lhes instigar.

"Não é todo dia que a gente é pego por um livro poema, por um poema livro.

Não é todo dia que a gente é surpreendido pela declaração de que Deus é menino ou menina.

Não é todo dia que a gente é confrontado pelo fato de que o Deus encarnado, antes de tudo, brincou...

Não é todo dia que a gente se dá conta de que brincar é mais sério do que ser sério.

Não é todo dia que a gente é levado a brincar enquanto lê, e a ler enquanto brinca.

Não é todo dia que a gente se apercebe de que só um Deus que sabe e gosta de brincar, poderia por tanta cor e tanta beleza num mundo que vai precisar ser reformulado.

Não é todo dia que a gente é movido a dar um sorriso, estendendo-o como a melhor forma de oração.

Não é todo dia que o corpo ganha significado.

Não é todo dia que ser criança, deixa de ser a busca pelo puro e perfeito e passa a ser apenas a busca pela alegria de viver, pela alegria de brincar.

Não é todo dia que um pensador cristão nos faz ver o sorriso nos lábios de Jesus. O eterno menino Jesus.

Como ficamos áridos.
Como nos tornamos estéreis.
Como ousamos ser os dissecadores de Deus?
Como nossas certezas acabaram com nossa alegria.
Como nossas alegrias ficaram sem sentido.
Como nossas descobertas, pesquisas, perderam o rumo.
Como a velhice invadiu-nos a alma.
Como perdemos a eternidade.
Como precisamos voltar a ser apenas criança!
Que reaprendamos o sentido do riso.
Que reconquistemos a força da alegria.Que retomemos a verdade do berço.
Que redescubramos o sentido na festa.
Que festejemos a vida.
Que reaprendamos que a alegria é a única arma contra a insensatez.
Que o non-sense que faz da humanidade o único motivo transforme a vida num grande sorriso.
Que nos encontremos na alegria de Deus que é a nossa força.
Que aprendamos que vida em abundância é vida de gargalhadas.
Que busquemos uma vida-circo, onde todos se apresentem a todos, buscando gerar um sorriso em cada um.

Obrigado Delcides.


Ariovaldo Ramos
Presidente da Visão Mundial
Missionário da SEPAL


Obs.: O Livro tem o título "Reino de Deus, Reino da Criança - o desejo de voltar a ser criança e ser feliz". A Editora é Abba Press.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Neoevangélicos: raízes podres e indigestas


Por Derval Dasilio

Os surtos neoevangélicos recentes são certamente contaminados por uma estruturação clara em torno de um poder religioso especializado, econômico, restrito, hierárquico, autoritário, objetivo, moderno. Os fiéis tramitam essencialmente no ambiente urbano marcado pelo anonimato, por relações indiretas, pela massificação dos costumes, sem expressão de comunhão e de comunidade, em reação estrondosa às condições sociais e econômicas. Imaginam-se no mundo pré-histórico? Nunca. São muito modernos, capitalistas “in essentia”, como coreografia de mitos ancestrais manipulados convenientemente.A religião é um fenômeno antropológico extraordinário! Todas as religiões têm começo e origem. Nos primórdios imemoriais, na antiguidade e até hoje, as narrativas sagradas, os rituais, as práticas morais (em cada grupo religioso, em toda parte e em todo tempo, pré-histórico ou não) e a religião nunca se dissociam dos meios de produção econômica (João Décio Passos). Narrativas míticas, miraculosas, apontando prodígios, eventos divinos, transcendem à dinâmica histórica enquanto colocam homens e mulheres face a face com o transcendente. Estão na religião. Este é um ponto. O outro refere-se à institucionalização da religião, quando vão se racionalizar origens e fins. Atualizemos o surto contemporâneo da religião de mercado.Pensemos no céu noturno, em forma de cúpula, com estrelas cadentes. Debaixo dele as pessoas armavam tendas. Como seria intrigante a marcha regular das estrelas, os céus cruzados periodicamente por tochas de fogo em alta velocidade, estrelas cadentes, grandes rios lácteos correndo pelo céu, tapetes gigantescos de estrelas estendidos nas noites limpas... Criaturas poderosas deveriam viver no firmamento... Nasce a religião! Magos, videntes, curandeiros e feiticeiros conheciam esses mistérios. Tinham, portanto, as chaves dos lugares sagrados, dos santuários, dos altares onde se fariam sacrifícios. Podiam manipular a religião por causa de seus atributos e competências. A Bíblia Hebraica, contudo, não esquece nenhum detalhe a respeito dessa religiosidade: condena-a. O homem bíblico não é diferente dos outros: denuncia-a imediatamente. A guinada na direção da religião revelada ocorrerá gradativamente.A religiosidade comum a todos os homens pode ser esboçada assim. Contudo, a experiência de religião encontrada no Antigo Testamento vai fugir do comum. O ambiente mesopotâmico e depois cananita enseja uma abordagem diferenciada, notável. O povo bíblico crê numa religião revelada. Deus é espontâneo, revela-se porque quer. Não crê na religião natural, fenomenológica, calcada em sentimentos diante do fascinante mundo ao redor. No segundo caso, os fenômenos físicos ditam o ritmo dos acontecimentos. E agora, o deus econômicus neoevangélico, dita novas regras? A aflição sobre fenômenos sobre os quais não se possui nenhum controle, vida nômade debaixo de céus estrelados contrapostos às tempestades noturnas, medonhas, céus lampejados vivamente por raios intensos, exigiram uma resposta do homem. Imaginemos uma árvore despedaçada por um raio, como acontece ainda hoje em áreas rurais, na madeira carbonizada e exposta (terror que converteu Lutero!). Acrescentemos a observação de ciclones, furacões, maremotos. Como explicar um vulcão em erupção, extensões de terra abaladas, tremendo, e em seguida rachadas em grandes distâncias, num mundo limitado ao que as pessoas conheciam? Hoje, o otimismo evangélico econômico, em trono da prosperidade, passa ao largo dessas questões.Deus, aqui, além de assemelhar-se ao “deus ex machina” da teatrologia da Grécia Antiga, é bem brasileiro. Deus é um serviçal, “deus-quebra-galho”, como num receituário doméstico. Todas as soluções possíveis para alguém se dar bem na vida. O crente ora e ordena à divindade imprensada na parede, depois das ofertas compulsórias: ”Fiz a minha parte, agora faças a tua”. Estamos na iminência de um “deus demitido do trono da graça”. Perdeu-se a essência bíblica que convoca à ética, solidariedade, compaixão e misericórdia. A graça de Deus custa muito caro no mundo neoevangélico carismático.•

Derval Dasilio é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil
Fonte: http://derv.wordpress.com/