Elevei meu pensamento a Deus numa breve oração pedindo forças para enfrentar mais uma semana.
Chega uma fase em nossas vidas que custamos a perceber as novidades. A vida parece acontecer de forma previsível, em movimentos repetitivos, tediosos...quase automáticos.
Nossa sede de existência é muito maior do que ela nos pode suprir. Não é por acaso que quando adultos, nosso mau humor sucumbi diante de uma criança alegre.
É tão mais fácil caminhar sem o acúmulo dos dias...
Sem a soma das desilusões e dos castigos que nos infringimos...
Sem as cicatrizes que nos lembram dores já superadas.
Viver por viver já não nos basta...precisamos de sentido. Não só de direção, mas para ser...
Precisamos do ar não só para respirar, mas também inspirar...
Precisamos das flores não só para nos seduzir os olhos, mas para nos perfumar a alma...
Precisamos do outro não só pela companhia, mas para sermos notados e também notar...
O ser humano é assim... tal como uma caixa de presente...
Por linda que seja, só fará sentido se o conteúdo for acessado.
Somos presentes de Deus uns para os outros...
Somos surpresas que mudam destinos...
Somos respostas a orações feitas em lágrimas.
Desconhecemos nosso potencial para ser benção...
O outro sente...de alguma maneira percebe o nosso afeto e carinho.
Não há tédio que resista a tamanha reflexão.
O sentido da vida jamais será encontrado na introspecção egoísta, mas é bem possível que o seja na prontidão em servir, acolher e amar incondicionalmente...
Por menor que julguemos ser nossa luz, ela pode ser como o sol do meio dia para quem sofre mais que nós.
Aprendi hoje que a força para viver consiste em pensar mais no outro do que em mim mesmo...
Que uma vida bem empreendida não é uma vida intensa em si mesma, mas uma vida que se intensifica no altruísmo genuinamente cristão...
É uma vida que se presenteia, que se doa, que se entrega... assim como Cristo fez por cada um de nós...
Bendita manhã de sol.
Marcello di Paola
Dedicado a Marcela Yanne
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